Qual é o poder de uma fake news? Vocês já devem ter topado com essa notícia mentirosa de que a Receita Federal vai taxar as transações por Pix. Para não ficar dúvida: é mentira, galera, o Pix é e será sempre gratuito.
Eu to bem noticioso hoje, mas vai ser de um jeito leve e simples. Peguem o banquinho e fiquem comigo, vai ter até Casos de Família.
Antes, os detalhes do estrago: o jornal O Globo compilou alguns dados e mostrou que, nos primeiros dias de 2025, houve uma queda bem fora do padrão nas transações do Pix - algo estranho, no início de mês todo mundo recebe salário e faz pagamentos, incluindo vocês, nohzeiros.
Um lado humano dessa história: Logo que o ano virou (literalmente, no dia 2 de janeiro) eu recebi uma mensagem do meu sogro, um senhor idoso que passa o dia com o celular na mão assistindo todo tipo de conteúdo. Ele dizia:
“Vi uma notícia sobre o Pix que me preocupou. A partir do corrente ano, os bancos serão obrigados a informar à Receita Federal a cada 3 meses sobre operações realizadas por Pix. É ruim continuar a usar o Pix?. Hoje eu pago quase tudo com o Pix”
Essa mensagem é tão ilustrativa que vou quebrá-la em várias para ajudar vocês a também não caírem em furadas
“Vi uma notícia sobre o Pix que me preocupou”
Sempre que um conteúdo for muito bombástico, acusador e definitivo é um sinal muito forte que é fake news. A Receita Federal fez esse texto bem explicativo. Vale a leitura para entender, também, como a indústria da fake news é perversa.
Primeiro, espalham que o Pix será cobrado. Depois, começam a enviar mensagens falsas sobre cobranças pendentes por causa de transações feitas por Pix e dizem, ainda mais grave, que a pessoa terá o CPF bloqueado se não pagar. Perceberam como é uma fórmula muito eficiente para aplicar golpes?
“A partir do ano corrente, os bancos serão obrigados…”
Nem vou repetir o resto, porque a informação não só é falsa como chegou pela metade.
Gente, é comum que a Receita Federal fiscalize transações, como depósitos e operações de cartão de crédito.
A única diferença agora é que a Receita vai por uma lupa também no dinheiro que passa através de instituições de pagamentos, sempre que superar R$ 5 mil por mês para pessoas físicas ou passar de R$ 15 mil em empresas.
Simplificando: as instituições de pagamentos são quase bancos, como boa parte das fintechs. E os bancos, bem, são os bancos, esses tradicionais que você conhece e podem fazer tudo com o nosso dinheiro: Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander…
E por quê? Toda grande inovação vem junto com desafios e fraudes. A Receita entendeu que, possivelmente, muita gente estava usando o Pix para driblar a fiscalização e não pagar impostos.
“Aí, Hugo, caramba, mas a gente já paga tanto imposto”. Tá, mas se uns pagam, todos devem pagar também, é uma questão de justiça.
“É ruim continuar a usar o Pix?”
Mais uma vez, fiquem tranquilos, o Pix nunca será cobrado. A Receita Federal explicou direitinho : “(...)a Constituição não autoriza imposto sobre movimentação financeira”.
“
Hoje eu pago quase tudo com Pix”
Vocês entendem como isso é revolucionário? Olhem essa história que aconteceu há exatos 10 anos.
Como todo bom brasileiro, precisei financiar a compra do meu primeiro carro. Sabem como eu paguei a entrada? Fui até uma agência bancária, peguei fila, assinei um monte de formulário para…realizar uma TED, a transferência eletrônica disponível, a avó do Pix. Tudo porque era um valor que o banco não me deixava fazer pelo aplicativo, na época bem precário.
Gente, isso foi SÓ 10 anos atrás. Nesse meio tempo, surgiram dezenas de bancos digitais, pagar um boleto leva segundos, abrir uma conta é super rápido também.
E também foi por isso que a Noh surgiu, vocês sabiam? Agora que muita gente já está bancarizada, faz muito sentido alguém, no caso nós, entrar para organizar a vida financeira dos casais. Então, se hoje pagar boletos a dois é um sonho para vocês, tudo isso começou lá atrás com o Pix.
Vida longa ao Pix grátis!